FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA QUER CEZANNE

Flávio quer pôr o mundo. - Em órbita, como pôr do sol (e opõe dignamente, fora do eixo como encontramos). O mundo dele, o que vivemos, não rasteja em órbita, caminha sob a gravidade. Mente que rastreia eixos espirais. - Flávio cultiva pássaros com raízes no mar, com raízes de flores. Martin Pescador. Quer voar sobre as copas das árvores e criticar pé de paus, galhos de canários brasileiros. - Te vendi em estrada de terra, comprei pratos, feito banquetes. - Flávio quer revisitar Verlaine num casarão eclético. Quer pagar o drink, cuspir no tablado, quer reler Rimbaud. - Flávio desce na Sé, quer chover na estação; Quer que pianos sustenidos saiam de seus armários. Quer multiplicar o bom, quer regurgitar, quer além do Tejo, do tédio de um chapéu de sol; Quer delinear formas amebóides, quer sair do chão, da terra fria. O poeta escreve para a espécie, degenera o gênero e reconstitui a raça, pinta de piche, o branco vão. Queima de cor um arco íris ensolarado, leve, diante toneladas de algodão, não quer partir seu coração, quer reunir os cacos em vitrais delgados e delegados. - Flávio é pedra de gelo feita de água do mar, é degelo no mar claro, é desejo incompreensível de mar chuvoso. - Flávio desata unhas coloridas com alfinetadas no cérebro. Faz música da maré doce, salgada e depois a faz salobra, literatura. Reduz a carne em ossos, por sua vez, a literatura também descansa em paz no cemitério. No Paquetá, a maresia oposta em órbita literária, encaminha cavalos que correm entre nuvens. - Flávio transpõe o sangue com sal marinho e te torna abissal. Habilita o grito familiar, familiariza a fome ao esperado grito. Ele quer o silêncio da encosta, Monet em Manet. - Flávio quer que tucanos virem pombos, que as águias larguem as gralhas. - Flávio quer reescrever as cartas salgadas, quer que saibam limpar os mares fora dos dias de ressaca; Quer ler o jornal, quer que entendam as mentiras publicadas. - Flávio quer alinhavar um aglomerado, forma, ritmo e letras; Quer emplacar torneios vívidos, consome os gêneros; Quer que soques de amor Darwin; Quer que beije Rimbaud, quer que soques o fumo no cachimbo, que inale água, quer te ajudar, quer que saiba da sacarose concreta. - Flávio quer costurar sua sexualidade trans moderna, demitida, quer definitivamente que o avesso namore o verso ou separe dele antes que atrasem estações; Flávio realinha as estações, já totalmente foras de órbita. Quer roubar sua mulher caso não saiba lê-la. Deve ser lido rapidamente, com imagens e referências da mente. Quer permitir perceber o veneno de suas maçãs, quer ser dono de seu pomar; Também quer Cézanne.