POETA CRUZEIRO


Como posso descrever distante dos lagos chilenos? Lá estão meus tataravós paternos; Assim como meus trisavós no Perú, em Puerto Maldonado. Machu Picchu é Brasil, um europeu ou asiático diria o contrário.

A costa Latina do Pacífico contraste-se com o território boliviano. - Estou a caminho de Portugal desde que nasci; Nesta caminhada não encontrei os tempos ou quaisquer conjugações, apenas devagar me levantava e ia em direção aos meus pais; que me aguardavam como índios rindo com bocas, narizes e olhos enormes. 

- Estes terremotos estão matando seu pai, dizia minha mãe, que é natural.
- Hoje moro nas águas, próximo as termas do rejuvenescimento. Amanha desceremos de barco rumo ao norte; são muitos cruzeiros perdidos ressoando na laje.

O PARADIGMA DO HIPODOGMA


Ser radical é tomar as coisas pela raiz
e a raiz do homem, para ele próprio,
é ele mesmo.
Marxismo não é dogma.
Facilmente repita!
O que é a razão ?
A não ser a que se faz agora.
A história não é profunda frente a modificação dos problemas,
que trazem o novo gene.
Foges para chegar em si e solucionar-te.
Genesi da vida simples ante os mesmos problemas.
Descartes, Spinoza, Leibnitz, Diderot,
ação original.
A ciência acostumada com racionalidade,
Lévi Bruhl, Augusto, Durkhein.
Dadaísmo positivista.
Um circulo!
Saco fechado de pensamentos,
em nomes, em forma, em fila,
na lógica de Aristóteles,
categórico como Kant.
Hegel a cópia,
o balanço da lei.
Paradigma do hipodógma.
Há uma certa materialidade
negar que existe,
vivo,
o imaginário, abstracto,
por não ser qualquer
oco o espaço.
Há princípio, o ponto fixo de Newton,
de Laplace na geometria Euclidiana
da cunha triangular.
Quando há dialéctica,
segura a porta,
fechada não bate mais,
tirando a prova das teorias e praticas
cabais.
Menos só
e populoso,
estaria pensante.

FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA QUER CEZANNE

Flávio quer pôr o mundo. - Em órbita, como pôr do sol (e opõe dignamente, fora do eixo como encontramos). O mundo dele, o que vivemos, não rasteja em órbita, caminha sob a gravidade. Mente que rastreia eixos espirais. - Flávio cultiva pássaros com raízes no mar, com raízes de flores. Martin Pescador. Quer voar sobre as copas das árvores e criticar pé de paus, galhos de canários brasileiros. - Te vendi em estrada de terra, comprei pratos, feito banquetes. - Flávio quer revisitar Verlaine num casarão eclético. Quer pagar o drink, cuspir no tablado, quer reler Rimbaud. - Flávio desce na Sé, quer chover na estação; Quer que pianos sustenidos saiam de seus armários. Quer multiplicar o bom, quer regurgitar, quer além do Tejo, do tédio de um chapéu de sol; Quer delinear formas amebóides, quer sair do chão, da terra fria. O poeta escreve para a espécie, degenera o gênero e reconstitui a raça, pinta de piche, o branco vão. Queima de cor um arco íris ensolarado, leve, diante toneladas de algodão, não quer partir seu coração, quer reunir os cacos em vitrais delgados e delegados. - Flávio é pedra de gelo feita de água do mar, é degelo no mar claro, é desejo incompreensível de mar chuvoso. - Flávio desata unhas coloridas com alfinetadas no cérebro. Faz música da maré doce, salgada e depois a faz salobra, literatura. Reduz a carne em ossos, por sua vez, a literatura também descansa em paz no cemitério. No Paquetá, a maresia oposta em órbita literária, encaminha cavalos que correm entre nuvens. - Flávio transpõe o sangue com sal marinho e te torna abissal. Habilita o grito familiar, familiariza a fome ao esperado grito. Ele quer o silêncio da encosta, Monet em Manet. - Flávio quer que tucanos virem pombos, que as águias larguem as gralhas. - Flávio quer reescrever as cartas salgadas, quer que saibam limpar os mares fora dos dias de ressaca; Quer ler o jornal, quer que entendam as mentiras publicadas. - Flávio quer alinhavar um aglomerado, forma, ritmo e letras; Quer emplacar torneios vívidos, consome os gêneros; Quer que soques de amor Darwin; Quer que beije Rimbaud, quer que soques o fumo no cachimbo, que inale água, quer te ajudar, quer que saiba da sacarose concreta. - Flávio quer costurar sua sexualidade trans moderna, demitida, quer definitivamente que o avesso namore o verso ou separe dele antes que atrasem estações; Flávio realinha as estações, já totalmente foras de órbita. Quer roubar sua mulher caso não saiba lê-la. Deve ser lido rapidamente, com imagens e referências da mente. Quer permitir perceber o veneno de suas maçãs, quer ser dono de seu pomar; Também quer Cézanne.

LENDO CARTAS DE RILKE PARA CASTRO ALVES

morte não é fuga
morte é ida
traduzir tal semelhança
é como uma casa destruída
a ruína formada esperança
a solidão falecida construía

no ambiente superlotado dos nascimentos
entre outras línguas personificava
a natureza na igualdade humana
e o morrer do sol tornava-se
deserto vazio
sem noites

romântico
o jovem esquecia
cartas de amor e falava em política
numa entrevista em campo verde
deitou e rolou em lama branca

no momento oportuno
empregava o boi
na cavalaria
das pombas

e com a bandeira desta alegria
nada podia permanecer em transição
o medo tomava conta do carona
que degustava
em seu crânio
uma taça de vinho

do nascer vem a forma
do renascer a reforma
e do contemporâneo a revolução
deus ainda é a razão social do patrimônio
e edifica uma função robusta

abrupta 1870 + 1970 – 2070 = 1770
é voltar a si e avaliar
a força de um todo inusitado
retornar a Cidade do México
em uma tourada gripe suína

galinheiro com a chacrinha armada
afinava seus sentimentos humanos
com a escravidão que abolia indígenas
sendo o novo povo heróico
o moderno consentimento final de tupã

o erro oprimido
defragado
com a deliberada característica do opressor
aceitáveis
nos braços esgotáveis
ao abrirem janelas e não mais alcovas

Castro Alves protagoniza a América
fatalmente
antes da idade do condor
deitado em espumas flutuantes
finda o bem e o mau
mecanicamente apaixonados

repare na harmonia errante
na escala dos ritmos
não mais na escala das vozes
e noutro movimento

esbarra na estrangeira
língua num envelope
jogando-a em seguida
numa caixa de estrelas

NAVIO CAIÇARA APORTA COUTO





Augusto e angelical, com esquadro de Euclides; Uma leitura anti-social, nervoso. Precipita o acontecido dentro de si. Nau descendo pro sul, limas na caverna, no casco socialista do mar, foice solista destoada do bando. Casta de mameluco, caboclo quadrado; Euclides desvelado, bebia em Canudos. Morto numa troca de tiros, um beijo… Mentira. Um estalo explosivo, um final florido, era a Tribuna do Povo-1894. Andradas-1827, Santos jesuítas. Sociedade Carnavalesca Santista-1857; regata de internacionais politanos, Teatro de Guarany-1882. As últimas procissões; 1ª e 2ª grande guerra, de 60 em 60 anos, procênio sequente. Santa acatari n-a roda d’água, de fogo. Engenho dos Erasmos demolidos, não toca mais jornal, não escreve mais o burro, não leu Luis Gama. Antonio Bento escambo Navaho. Expansão urbana, trem movido a mulas, o coliseu de Santos. Lobato escrevia para seus filhos, com bico de mergulhão azul superintendente. Os sertões do navio caiçara, republicano convicto acompanha parado o Estado de São Paulo as ações do exercito brasileiro, soneto a Orpheu de 23 pudera o futuro digerir, o passado. Polido por Antonio; Conecte-se em estrada de ferro, Julio Verne na Balada do Cárcere. Beneditino, franciscano, conselheiro em tom prosaico seco e escorrido, antônimo detém o símbolo; na terra, no homem e na luta. O relato dos acontecimentos, manchete nefasta a pré-moderna, garimpeiro do rio das ostras. 8000 pessoas habitam em 22, 500 mil em 2002. Não te pergunte te levarei ao jamais, lagamares da saudade, não era o tal paraíba nervoso, seria o aborto de um navio de guerra, ou música para tecelagem, na caótica visão hereditária, datas, membros e cores entre vagões. Nas docas o grão perdido e jateado; no lajeado, pedras atiradas e café.

TOPAS NA CALÇADA, COM SEUS DEDOS; NADA.

A natureza do Riso
A pátria engasga em malandragem
Você por pudores, tosse!
Nada como morrer em gargalhadas

Submerso em versos, do avesso ao mar aberto
Sem ar, respira verde, azul do mar
Já teu vermelho não trava.

Entope a fala, torpe no universo
Topa na calçada e com seus dedos; nada!
Apenas aquilo que conheces.

POETA INCONFIDENTE - VILA PURITANA

Nouveau Decó
Pedras duras se criaram
Giro desgraçado a seu cuidado
Contos eróticos em desventuras
Abra os olhos escravizados
Nada que tenha ver com seus delírios
Revestidos de calo e alegria
Mas sim sobre as injurias que sofrem as humanidades
Inconfidências
Pobres de espírito não devem sonhar
Por negócios de afecto, infecto
Por pensar de cabeça fria

Ouro Preto, divã, namoradeira
Janela de madeira azul
Madeira e gradil em sangue vil
Na casa mau provida do poeta
Além mar, pagam o juízo
Cartas sem nome assinadas com pavio
Veja o chumbo e o enxofre e agora feche os olhos
Não morrerás escondido
Heróis chegam a glória depois dos degolados poetas
Se tu não fosses em repetidos anseios, libertinagem
Terias o mau costume e seria vaqueiro do gado alheio

Sinta o azul que o céu estende a vossa amada
Ele aparece costurando uma rede numa sala barroca
Meio confidente
Meio levante
Desejo a felicidade antes de chegar a ela
Sou um poeta na tropa sob preguiça tropical
O matar abaulado do arco abatido
Leões no gradil, medalhões
É justo que haja a liberdade acorrentado ao poste,
Pois honra quem o castigas.

GRAVAÇÕES DO INFINITIVO - POETA MORTO



Achei possível falar de tudo
Mas geralmente esperam lançar
Lançar em cada música, o seu todo
Meu coração quer um depoimento calmo
Não custa ausentar - me
O pensamento vai e na verdade fica
Já não tenho amigos
Escrevo palavras que me acompanham
As folhas cheias de orelha, aguardo chamar
Guardo as pegadas de mamute, fotografo os caminhos
Dos leões e dos elefantes
São orelhas de papel que se movimentam com o respirar
Na ponta do nariz

Escrevo sempre de alguém para alguém
Não sei quem, agora não me preocupo
Pois há na palavra há, por tanto haver, verá o tom
Meu único infinitivo, a rima do seu viver, ouvir
Nem seu nem meu blá blá blá

Santo infinitivo capta a palavra no ar
As canções sempre estiveram antes de mim, lár
Não mais meus bustos ao mar
Amigos esculpem belas pegadas da história
Resolvo escrever sem pensar
Corro com as letras porque é preciso
Cada quilate de passo, stop by step by stop by step
Raro subtítulo

Quem sabe na vida completo todos meus anos
Quando ao tempo perdido, ficastes lendo
Escrevo para te fortalecer
Meu eu não é meu, nem seu, é do ouvir da vida, se é a vida que está
Por isso prefiro as pegadas correndo
Respirando nas asas dos livros
E as folhas se mexendo

De manha o início da feira livre, popular
Poemas são os poetas de seu religar em ruídos
Comovem letras seguidas e vibram sem ar
Infinito video arrolar texto sem fim
Gravações do infinitivo
Poeta morto.

SEGUNDA FEIRA




















Toda segunda feira a barba cresce até o fim,
Quando cai como uma pedra
E de carne germina gemea,
Botões de couro em livros escritos,
Papéis in cansáveis da sala na mesa,
Interruptores de consciência.

ALVORADA DA PELE




Água viva sustenta coluna;
o cravo é a espinha dorsal,
camadas da memória.
Espécie em extinta distinção;
barreira, parede de passarinhos.
Cela canto; telhas escondidas,
diversão, renda da sobrevida.
Xadrez é o disfarce entabuado.
O scanner da pele, a tinta.
Água feita de poros,
anéis de angelus.
Soco na cara;
esquerda, direita,
camaleão esmagado e
mariposas na casca de árvore.
Verdade malhada;
escamas de tigre,
tupi fisiologia.
Ser no signo do monitor;
vira copos pegador,
suco de pele de cobra.
Copaíba em febre;
histórico lipídio mentiroso,
ouvido incerto.
Dúvidas de fechadura
dilatada em série;
pena repele,
queratina tanque,
queloide de guerra.
Ideias desconexas;
sílica bebe
ex peculiações
da rocha neve,
pele, soros circulares.
Solos.

ALVORADA DA ÁGUA


chip banzé caçador de gotas
animal de folhas
aurora do sangue
água bastarda do sol
passa quatro
riacho doce
bochechas rosadas
bigode de fome
desafio de salão
corisa faísca
erosão de lótus
raiz do transatlântico
arca de Noé
obras de saneamento
cheiro de merda
reciclagem do amor
reuso de chaminé
o vapor é o labirinto
amazona Tietê
lago feito de tromba
mordida no pescoço
cachoeira do mané
Brutus rúcula
indestrutível
mine caçador
homem escorrido
agulha do mar
brilho de lampião
ninhagara do pé
suor de avião
pré poema
lágrimas de torneira


ALVORADA DO OSSO


seguro de vida
côco de bananeira
liquidificador
energia termo negativo
sangue e leite
pêlo do coração
cálcio de arruda
olhar de hipopótamo
resfriamento flexor
tensos banhos seios
petrificação elástica
membrana do nervo
ferro do peito da mãe
amamenta estrelas
grito melancia
gelo
ovo amniótico
cegueira estrutural
vitalidade tubular
boleada na cara
oco vivo
câncer caprinocída
chifre em defesa do nervo
despertador voador leve
águia do porco
água polida incessantemente
fura caule
laboratório casquinha de si ri
argila delicada
exo-tapete-corneta
tronco célula láctea
reaccionário costela
pesado magérrimo
mamífero alegre

Respectivamente publicados em:









SENTIMENTO E MOLDURA

XX


Se te chamo de diário é porque os dias são além de livros, águas passadas. Nobre é te chamar de arte; pego-me no todo e limpo os pronomes pro futuro. A consciência sempre contínua é obra tua. Da interpretação surge a forma, integrada, ideológica, bem carregada de sentimento e moldura.


Criado Vitalício
2001

ELEFANTE CORRENDO - POR DESENHAR - CAIXA DE PERGUNTAS

XIV


cada nuvem tem seu formato  
porque o vento encosta nela e  
na gente intensifica o movimento
a imaginação aflora pasta 
um elefante correndo 
todo mal em atravessar barreiras finas 
em contornar substratos  


XV


nos desenhos 
nas ideias 
sentimentos 
pensamentos 
coração pensante 
palavras 
erros 
deduções acidentes 
confesso 
difícil acesso 
a necessidade do amor 
em mim é no mundo 
todo tremor 
quanto tens a descobrir 
tenho por achado 
juntos 
refletir 
por desenhar 


XVI 


moeda de bolso 
corda de pulso 
ave do sol 
imaginação esboço 
forma e nó 
ar que entra 
volta flauta em som 
vem no ouvido em som  
basta parar 
garrafas d'água 
notas musicais 
lindo coração 
coração aberto 
corte e vou 
minha vida em dó 
fila indiana 
natureza escondida 
cidade de pedra 
caminho pra si 
cromática 
sinfonia da cabeça 
caixa de perguntas 


Criado Vitalício
2001

NASCER DE NOVO MAIS AMARRADO


O senso urbano da direção,
não mais nos rios, percorrem as perguntas
em teu foco cabresto.

Bar da esquina,
rivieras e espirais em teu caminhar tonto.

Orientado em planos horizontais,
haverão contornos, sem monte, morro
ou sozinhez em balões.

Do futuro cortarão a Jussara,
objeto ramificado de uma ilha pequena,
labirinto entre pontes, rio laranjeiras.

Soluções para cidades Drummontescas,
policia e ladrão jogam taco na rua ou bola ao mastro.

Exposto lastro evidente do peso,
sobrecarga da laje, dança na laje.

Contraste decisivo da ação combinatória,
obrigam-te nascer de novo mais amarrado.

HUMORISTA INGLÊS NO CANTO DA SALA QUIETO

torpe do escuro, des rumo,
pés sujos calçando asfalto,
quente e derretido de vida urbana, saindo,
nem um pouco feliz com seriados americanos,

poetas dizem verdades,
litros de seiva escorrida dos olhos,
vivemos diálogos digitais, árvores e imagem alheia, te alimento sem ramificar

e então vivo em alguma poesia,
vivo couto entre os vagões da laringe, voz que não cessa e fuma,
almoço quente, vida quente, abraço quente.
Humorista inglês no canto da sala, quieto.

VOA PÁSSARO INCERTO


- Quando a vida não liberta nada, surpresas, notas temporais, pegada nas pedras. Caminhos ardentes são conflitos, arte de ser odioso, simplesmente ida para o presente, sem espaço percorrer. Mundo grande percorrido arrebatado, caminho anti passo liberto, aos dois, cavalo liberto a caminho do alvorecer. Vida quer olhos verdes. - Quando a vida nada liberta, espaços, afagos do mel, íris troca, minha água dependência, química! Universo aos meandros. - Grande descoberta,  faísca no atrito, acalma, amansa em tranquilo frio, no rio, um gesto. Longa estrada avante em meu deserto ao mundo, voa pássaro incerto.

DESEJO MUNDANO

Escreva todas as palavras por inteiro,
Demonstra teu interesse pela clareza,
Demonstra a tua paciência e perseverança.
Temos que ser duros sem perder a ternura,
Caso não sejamos correspondidos,
Mudaremos o correspondente,

Novamente e. . .  novamente . . .
Amoleceremos sem chegar a concretude.

Não falo sozinho em voz alta.
Não temos tempo para temer a morte.

Quero estar atento e forte,
Caso contrario, perderei a chance de fazer alguém feliz,
Ou ainda perderemos a chance de ser feliz,
Perante a ilusão de alguns desejos tão mundanos.
Quero fluir, quero fruir com você,
Quero igualdade e liberdade de expressão,
Compaixão com os mortos,
Quero teu corpo expresso em teus olhos;
E tua alma num constante dialogo com Deus.

DESENTENDIMENTO SINTÁXICO

A poesia
Joga com as probabilidades
Inclui totalmente a participação do leitor
Ato real
Reforma direções e sentidos
Previsivelmente casuais, são praticamente encontros urbanos
De fonética e significado
A poesia aberta
Ela é concreta
Como a casa de um João de Barro
Dentro da casa, biscoitos produzidos em série com farinha integral
Semântica afectiva, ponte pênsil musical
Providência signata, sentimento que eu mesmo provoquei
Dominado e inventivo
Ao ler uma obra completa
Possibilidades combinatórias em posição assertiva
Desentendimento sintáxico

DIVERGÊNCIA E COMPARÊNCIA

Erradicação da diversidade.
Danada e guerreira que loures,
seca daninha, outra
camisa de Carnaval.
Vira casaca de clube,
revolta-se no arrebol.
Longe de uma ventana
uma venda nos olhos.
-
Incompetentes declarados;
abelhas te sondam,
lembrete dos tempos primórdios,
é o fim da barata 13.
Já não se apaga no vento.
-
Monoculturas e cascas de memória.
Tunun cultua frentes,
não castas o passado
que resgata quente,
um voo leve encavalo
o plural do vento enlaço.
-
Escasso das asas e olhares,
meu pensamento te olhavas
atómico.
Actor cómico da desgraça atómica,
uma bandeira que levantas
ao fabricar alqueires.
Simbiose das 3 Marias
-
Lixo histórico descartável num mundo montante;
a prática vital de um século passado,
vivemos ainda no mesmo nada.
Tudo é insumo pro mesmo nada,
tudo que renasce em flores
no primeiro matagal.
Forma despetalada em cacos,
uma verdade que dura um século.
-
Existem várias Santos em São Paulo,
tua floresta enrolada.
Vários tempos e vidas estranhadas
da mesma espécie e família.
Submisso é o abismo da igualdade,
o olhar de quem não fez nada.
Divergência e Comparência

TAPA SEXO DO DISCERNIMENTO

Calaste teu sol remanescente,
lentamente nadará como uma tartaruga
quão alto é o ardor do conhecimento.

Faca que não corta e sempre esteve no gaveteiro,
lebre da informação virtual, do olhar estático;
Amaciante de roupas no varal, são rajadas do tempo.

Granel do mar, reluz na verdade os pixels da tua imagem,
representas a corrente em elos bipartidos e andantes
representa longas jornadas de estudo bruto.

Luneta para ver caiçara e enxergar uma saída para terra,
milhões de remadas em cliques, memória intermodal do som,
um afecto de marinheiro, pirata do caribe.

Chuva refractada em teu olhar animal.
Luzes, são as trevas do sol
iluminas a alma com leds.

Roupagens, cegueiras,
tapa sexo do discernimento.

COMUNICAÇÃO PÉTREA - BÁLSAMO PRESENTE

Que a dor seja boa com a sua;
Num único sono,
perene.
É o calor que desmata
e tu não deves reagir;
Pétreo é o comunicado e bérro.

- Tiro do coração
- Vive na atmosfera

Caso não negue o fato;
Por aceite,
irrigará teus avós
em terras do crânio;

- E teu peito abrirá.

Morte do bálsamo entendimento;
enfim a ressurreição presente.

PENSAMENTO BOTANTE - MOTORES

Meu arco Pleno, minha cabeça;
o comprimento dos meus dedos.

O olhar é mais feliz quando mais tenso,
gigantesco balaio.

Pensamento botante,
torna o sentimento e o apego,
partes do solto unificado.

Escorre a alegria dos deuses petrificados
não por serem reconhecidos.

Travam ogivas e quebras o ritual,
não proporcionam ao olho nú,
tua nudez sem massa.

Pedras endireitam o caminho rasgado,
passo por entre medulas,
chego na selva.

Não percebo o peso quebrando minhas pernas,
fico admirando as trevas;

Capela do meu braço arreado em duzentos e vinte graus, pra baixo;
Ouço o eco de uma catedral,  motores talham um antigo ego carregado.

FRESTA NO UMBRAL

Quando escrevo sou atemporal,
não há data nem mecanismo.
Há a ausência de estilo e do estar além,
é simplesmente tua analise e sentimento crítico.

Invisível ponto      .

Tua fôrma ao ver a vida e as horas ganhas.

Séria monotonia de um médico
ou de um poeta sobre a luz de óleos essenciais.
Escorrem no espaço oco que vejo;
e o fim da esperança num rejuvenescido adeus.

Sensações do mar que levam ao desfazer; com o ego descarregado e descrito.

Raios estouram umbrais;
desmoronam consultórios, boates e salas de estar.
Despencam com a gente dentro.

Desvinculam a vida; de suas frestas natalinas;
e uma alma presente, póstuma te fala.

"sê gentil com quem te comunga o clima e o espaço,
ofertando teu coração nos gestos e nas palavras, 
certo de que ages, mesmo que em círculo restrito"

DOENTE POESIA CAIXA ALTA

desbocado o refrão;
aleatório, te enfia de trevas o não predatório
retorci e reboli e somente bóli bóli.

tranqüilamente.

teu buceto oco negro; rechaçado pelo teto ventre anacrônico;
vento ávido; [refaz a linha em chamas]

chamas e mamas.

palavras que ressaltam sem esforço e
rapidamente transformo o passo; [sertão de dentro]

mares articulosos;
legumes gástricos recolhem no florescer da selva.

aos mares de nada informo, se ao redor do tempo
somente as letras uni - formes.

nada feito de poesia ou caixa alta.

POESIA DA PERSECUÇÃO APREENSIVA

Quando escrevo,
acabo por me libertar os mortos
e como se mortos não fossem pensares.

Ressucito na leitura sensações que há muito não sentia.

Ao lado dos que todos tem.

Que fica guardado dentro.

Apreende o princípio, primórdio de ser.

Primórdio moderno não suficiente.

Escrevo para apreender surreal tantos sentidos,
dessa forma apurar os gritos contemporâneos,
gritos meus que terminam amenos.

- Aquieta, aquele som interno fala e dirigi.

Mensagens entre linhas, mortas,
ressucitam no ler diariamente.

PORTO

Te vejo e não te escuto; estou preso no vento e na tormenta. Penso na rainha do tempo; Tempo perdido vendo fotos queimadas, filhos que não cresceram. Agora é tarde e não se pode mais voltar; somente em lembrança, revendo recordamos, mesmo cegos. Apenas teu cheiro respeito. Me abstenho e responsabilizo pelos gazes que não vemos.

Acredito que seja bom viver e sonhar; não quero jamais que em ti deixe de ser. Os anjos te guiarão para a felicidade e irão consagrar tua liberdade e felicidade. Tem um coração vivo cheio de sangue, ardendo por você naquele sol de ontém. Um navio nos espera à solitude e na verdade; passo por passo, mar ao mar, olho no olho, de olhar para olhar. Porto.

Tua doçura , aguça no relento, Uma locomotiva sai a ignorar tuas entradas, as que entendo são as portas do meu lar. Tua ausencia é meu tempo presente. Anseio ao reencontro da futura paz de agora.

SEGUNDA FEIRA



Toda segunda feira a barba cresce até o fim,
Quando cai como uma pedra
E de carne germina gemea,
Botões de couro em livros escritos,
Papéis in cansáveis da sala na mesa,
Interruptores de consciência.

POESIA INSPIRADA EM "O ELOGIO DA MORTE" DE ANTERO DE QUENTAL

 I

A madrugada e a medula.
Caio da cama;
frito, perco todo o caldo,
macio infarto.
Cheio de merda na cabeça,
minha noite é uma vaidade oca.
Fétido e forjado
o teor vindo dos arrependimentos
ocultos e não realizados,
vindos da mente.
Sombras da lua; recriam
perspectivas,
pensamentos que dançam a todo custo.
Apresento minha alma
como um desfile de Deus e Sorte.
Natação na poça.
Fundo é o útero,
- Um caminho falante
mas em paz.
Distante de ser elogiado,
iniciado pela morte.

II

Neste trecho astral da terra,
em mim a lava em movimento.
Lugares frios de densas memórias
que assustam as alegrias.
Permeio em deriva meio ao gelo.
Apático por colonizar
ao rastro
de meu bambu choroso
o qual escuto o som
atentamente.
Quem fica no chão não sobe nos ares.
Um clarão na mata surda.
Morte irmã do amor,
busco teu abraço, por
somente ser esta viajem
o ermo espaço.

III

Sei quem sou.
Nunca procurei.
Guerreiro,
descalço encosto na parede em brasas.
Sei que falo sozinho,
realmente! procuro pegadas leves.
Longínquo é o presente inclinado,
nele mergulho e levo o mundo.
Com você não é preciso nome;
Olhar eficiente diz tudo.
Feto pronto em segundos.
Beatriz, morta consoladora!

IV

Cheio da fumaça de cigarros
não via nada. Surpreendido
com você ao lado;
toda hora, incansável cegueira,
entediado e magoado,
apontei o dedo mesmo.
- Cheguei ao fim da linha,
colega de trabalho.
Coeterna é minha alma
dormindo no assoalho,
Eu não te amava
e nem te conhecia.

  V
 
Um burro frente a fonte;
de costas não via nada.
 - Acalma.
Centelha pessoal - arma de fogo,
iluminou-me o gatilho que abala.
Próstata irmã gêmea.
Hologramas sedutores;
tuas tres dimensões
me agradam na caminhada,
cobre o rosto e recua apavorada
quando a luz do sol noturno
compreende toda a sombra da linguagem.
Quanto mais alta a rua na subida,
mais alto o grito.
Ideogramas, dilemas.
Mulher,
beberei do teu seio inviolável.
A comunhão da paz universal.

VI

Muita inocência
passa a ter o locatário.
Me arrepia o fim da noite
mendigando solitário.
Noite de núpcias ao contrário.
- Augusta.
Quem reza no enterro toda de preto,
num cinema funerário.
Quanto ao medo do erro;
outro ser absoluto
com sorriso inalterável.
Ser ou não ser
um índio a adorar-te.

ALA LAO OLAO OLAO

Correio; imprensa, diário em noticias.
Comércio; santos, tarde cidade.
Manhã; povo, gazeta, tribuna na folha.
Tempo; jornal, vanguarda, busca pé e desfalque.
Furo; gazetinha, ensaio incolor.
Novidades; leque, carta branca.
Olho; revolução, neto da semana.
Lanterneta; luva, Louvre e lidador.
Democrata; sequila, zagala no combate.
Gaúcho; opinião, boer, a fanfarra da coisa.
Revisão; dia arco da velha.
Mercados; processo de galinha.
Carnaval; aporo, andaluzia.
Independente; otomano, bersagliere.
31 de janeiro; sempreviva, nacional.
Domingo, comédia.
Popular; evolução de pince-nez, um colibri.
Lepidóptero; luneta, mercantil no verso.
Berlinda; corretor, tesoura, farpas da bilontra.
Biscouto; isca, chicote ou metralha.
Tempestade; bobo, gargalhada é asa.
Empata; bomba de sanfona.
Luta; colegial, foguete de formiga.
Tombola; flor de maio, cruz branca.
Pérola; magnólia, eco, arte, ideia.
Estimulo; operário, greve, união na aurora.
Proletário; dor humana, rebelião.
Cacheiro e tipógrafo.
2 de fevereiro; acção social em questão.
Revista, Nova.
Luz; flora do patriota, dever, verdade.
15 de novembro; Floriano Peixoto.
Brazil; república, raio.
Porvir; embrião, pirata, Guarani.
Periquito; papagaio, alvor de Piratiny.
27 de fevereiro; redenção.
Procellaria; Luiz Gama, lei.

BOLINHA DE PAPEL VOANDO

escrito e amassado
no seu aniversário
você abre e:

- poesia
neste caso é lixo
nada como lhe ver
pessoalmente
lado alado
receber e dar um abraço

e sentir-se
sempre reciclado
não o jogue
em vias publicas

ORAÇÃO BATENTE

Ao sagrado coração dessa passagem
Indica um caminho seguro agora e sempre
Protegido pelas alças arqui-manescentes
Pedidos transcritos aprimoram o ventre
Que na sua liberdade e poder
Permita tranqüilo acomodar-me ao teu lado
Separando as partes discentes
E a cada passo provido
Agrego tua força coeso
Assim posso junto a tua transparência
Sem medo e confiante
Perceber a mensagem ao
Adentrar essa porta

QUALQUER LÓGICA PODE SER ALVORADA

I –
Querer, louco ser da forma
sendo ela feia das mais feias
é a única forma de sentir
o calor das palavras soltas
como numa cabeça de sacos de batata

como excreta a devoção da vida para ver o invisível?
sendo concreta a escrita e a forma
e não existe por motivo algum a perda do futuro

no momento em que desce a flora sobre o pairal
toda a natureza desperta fogo sem mitologia, alergia
a poesia louca adentra nos cotovelos pela estrada afora
e muda o roteiro da libélula

a arte da escrita é anterior a arte de comer
nada disso é arte!

quando se tem um rojão apontado as meninas
correndo pelos olhos da esquerda pra direita
mas vontade de escrever é maior
que há de ler

as palavras me ludibriam sensato
e me fazem dizer que te amo
que se fôda!
e que bem aventuremos nas palavras lustres

penduradas na mente
esperando um estímulo interessante por bem
ou estressante por mal que as coisas hão de acontecer

cada passo escrito em poesia
é o futuro sendo introduzido
como os membros da família perdendo os dedos

e que largo seja o infinito das palavras
porque a ignorância prevalece muda e surda
ainda usa a inteligência
interpretando-a
mesmo sendo ela a fonte prematura
de uma vida abraçada numa árvore
preso a ela com uma braçadeira gigante

perdendo o peso com água gelada
e o entendimento do texto
amigo do filme
perdeu-se com o extinto chip da fonte

na sua cabeça cheetos
parente próximo
das crianças da década de 80
enrabando as paquitas do show da Xuxa

convenhamos
nada além de nós pode nos separar
a partir do momento que adentramos
o portal da imaginação livre e dali,
livre!
não estou preso a fotografias nem vídeoclipes!

não precisamos de luz
adaptamo-nos as pegadas instintivas da imaginação
e qualquer lógica pode ser alvorada


II -
lembro - te que tudo isso
sobre o olhar de um raciocínio fétido
patrocinado pela estação de tratamento de esgoto
pela fornecedora de energia elétrica

faz de novas palavras
roupagens inovadoras da sua fé figurada
como se a fé fosse uma seqüencia
de amor e retratos, caras e cheiros
e principalmente luzes sem cor

chegando do espaço
indo para o espaço

entre o pescoço e a boca
pode estar o queixo
mas o problema
é a cama em que te acalma quando deito
e deitado vejo o suor das suas mãos
e o gogó soluçando

o monstro da capivara
surgiu no happyhour engravatado de sexta-feira
oxigenado riacho dentro da bolha
encontrou seu lugar na faculdade
era sábado bem o espaço: buceto negro oco
espaço que fica dentro do bule de café
entre o big bang da mente e o delírio da alma

ou numa antena colher que atende o pedido
ou a sua fantasia de carnaval
dançando Chico no meio da semana

revendo a leitura que não leio
vejo uma luz no fim do túnel
como uma locomotiva
vejo a sombra de um maquinista
querendo dizer algo com as mãos

e meu coração apaixonado por Elvira
prima da pólvora estourava na palma
criando um espírito pipoca

encosta o pés nas mãos pra
dizer tendão tendão ao infinito
fluxo de caixa é o pensamento
fluxo de pensamento dentro de uma caixa
e cada pagina é uma porta

sim salabim na verdade salabim
evocação sim saúde ao coração
americano tosco
palavras aqui não estão
e sim seriedade e sensação